Биография Генриетты Лижбоа, несколько стихотворений (на португальском языке). Портрет поэтессы

Портрет Генриетты Лисбоа

Uma senhorinha culta e poeta

Rosália do Vale, do Cosmo On Line

A escritora Henriqueta Lisboa nasceu no início do século XX (1904) em Lambari (MG), filha de um farmacêutico e deputado federal, João de Almeida Lisboa e Maria de Vilhena Lisboa. Para orgulho de seus pais, ela foi a primeira mulher eleita membro da Academia Mineira de Letras.

Henriqueta publicou vários ensaios e poesias. Seu primeiro livro poético, chamado Fogo fátuo, foi publicado aos 21 anos. Para as crianças, Henriqueta dedicou três obras: O menino poeta (1943), Lírica (1958) e a reedição de O menino poeta, em 1975.

Em 1985, este último livro foi lançado em disco, através do Estúdio Eldorado, com os poemas musicados por Antônio Madureira. Henriqueta Lisboa recebeu diversos prêmios, entre eles o Prêmio Machado de Assis, concedido pela Academia Brasileira de Letras. Ela também foi inspetora de alunos (Aiii!), professora de literatura e tradutora (Henriqueta traduziu o famoso Cantos, de Dante Alighieri).

Ela morreu na capital mineira, Belo Horizonte, em 1985. Para a poetisa, a imaginação não representava uma fuga, mas uma libertação.

Confira a seguir duas de suas poesias infantis:

Ciranda de Mariposas

Vamos todos cirandar
ciranda de mariposas.
Mariposas na vidraça
são jóias, são brincos de ouro.

Ai! Poeira de ouro translúcida
bailando em torno da lâmpada.
Ai! Fulgurantes espelhos
refletindo asas que dançam.

Estrelas são mariposas
(faz tanto frio na rua!)
batem asas de esperança
contra as vidraças da lua.

A menina selvagem

A menina selvagem veio da aurora
acompanhada de pássaros,
estrelas-marinhas
e seixos.
Traz uma tinta de magnólia escorrida
nas faces.
Seus cabelos, molhados de orvalho e
tocados de musgo,
cascateiam brincando
com o vento.
A menina selvagem carrega punhados
de renda,
sacode soltas espumas.
Alimenta peixes ariscos e renitentes papagaios.
E há de relance, no seu riso,
gume de aço e polpa de amora.

Reis Magos, é tempo!
Ofereci bosques, várzeas e campos
à menina selvagem:
ela veio atrás das libélulas.

Glossário

Mariposas – Nome comum a certos insetos noturnos. As larvas tecem casulos onde vivem até se transformarem em ninfas.
Translúcida – Que deixa passar a luz sem permitir que se vejam os objetos.
Fulgurantes – Que resplandecem, cintilam, se sobressaem.
Aurora – Período antes do nascer do Sol e também princípio, origem.
Seixos – Fragmentos de rocha dura; pedras soltas.
Magnólia – Árvore ornamental.
Renitentes – Teimoso, obstinado.
Gume – O lado afiado de instrumento de corte; fio.
Libélulas – Insetos de corpos estreitos e asas transparentes.